27.5.17

Skirt


Nas culturas onde os homens usam ou usavam saia, tanga ou similares, o fazem/ faziam (inteligentemente), pelas seguintes razões:

Para a mesinha de café ficar mais arejada;

Para ter mais agilidade ao correr ou desferir voadoras;

além de poder mostrar o seu objeto de poder, que nem os orangotangos;

Para cagar

26.5.17

Barraca Arnada


Tinha saído sem cueca, ela sabia. Já saia a algum tempo, apesar dos inconvenientes e cuidado dobrado com aquela “última gota” da mijada, não deixar o cú sujo, claro, etc. Acontece que o tempo ficou muito seco e muito quente e eu tinha que trabalhar de calça, stress do cotidiano, moral da história: queimação nas‘junta interna da coxa. Solução: tirar a cueca já ajudava no role. Claro que ela não sabia de tudo isso, mas sabia me deixar com tesão, era só ela roçar a língua em mim, encostar em mim com aquela risada safada, de quem sabe torturar; apesar de estar sendo humilhado, pois havia pessoas em volta, eu gostava. Humilhado, e de pau duro no metrô, respirando fundo para arejar os vasos sanguíneos e encolhendo a barriga, tudo para diminuir a dilatação do foguete. Aconteceu várias vezes, lendo Pequenos Pássaros e outras histórias eróticas, da Anais Nin.

25.5.17

Fornalha


Ponham seus óculos de sol
que eu vou abrir meu coração

20.5.17

mais liso que sabão


Mestre dos magos em saídas à francesa

Erotic Dreams

Sonho que coloco em você o membro de carne dura e úmida, enorme e teso, sua fenda marítima e profunda, as formas perfeitas de boca e peixe do mundo, mas muito gostoso, então eu tiro para não gozar, e você me olha em súplica, querendo muito, quase chorando, então respiro fundo, concentro força no foguete e coloco quente, devagar e forte até o fundo, ai você goza com força total e graça e gotinhas de um líquido claro e brilhante jorram para cima perfeita e lentamente, nessa hora a gravidade parou, e vou olhar para sempre a sua boca bem aberta gritando, a luz amarelada e quente envolvendo seu corpo moreno, os dentes bonitos e os olhos bem fechados, mas agora faz silêncio, e as gotinhas ficaram flutuando no ar

Quem tem Mercúrio em Virgem


fazê faxina
cortáaz'unha
lavarasrroupa
tocar viola

escrever milhares de palavras
que façam algum sentido
(não só para mim)

cuidá jardim
visitar família
tocá viola
ler'ostexto
tirá foto do gato
provavalmente fazer rolezinhos marotos

pelamor dois dia é pouco
mas é o que tem

Gozar


Logo depois de você

Quem tem Marte em Escorpião


Pesadelo sob Algol
Perseguição
Sorrateiramente dou a volta
visualizo a rota de fuga
e discreta e precisamente
pelas costas do perseguidor
passo o bisturi na sua jugular

Cantil de Guerra


Oásis
Miragem
dunas
baionetas
suor

águardente

para Albert Camus

18.5.17

Rádio Peão


na velocidade de Mercúrio
um furduncinho chamado
grupinho de watz

Gatuna


uma carta de duas mangas

Pomba gira


Uma mulher dançando e girando e cantando loucamente
insubmissa e inconsolável
no meio da rua
no cruzamento da Consolação com o Minhocão
frente à Rosa dos Ventos
Essa praça metropolitana travestida
com nome de presidente norte americano

Travestidos os fatos
o dia se exauriu em noite
e o fogo do Sol foi brilhar num sonho
de fogueiras e mariposas
ao som de uma guitarra flamenca

para Letícia Helena Coca Santa Cruz

Teatro Mágico


um bom dia que desmontasse
o mais torpe dos bandidos

carpe diem

para Sociedade dos Poetas Mortos e Lobo da Estepe

12.5.17

Pneu


A roda gira
mas também balança

11.5.17

Rei Momo


Lendo o jornal
naquela cagada matinal

se fantasia de juiz

9.5.17

Lua em Escorpião


Violão fiel
Violeiro cão

para Belchior

8.5.17

Piracema Café


Tinham combinado apenas um café. Apenas isso. Naquele lugar perto da praça, o dia estava bom, ainda era verão. Mas a coisa foi se transformando. “Ta bom o café?”, “uhum”, e olhava para aquele rosto felino. Tinha dificuldade em definir precisamente o que fascinava tanto, mas de fato era felino, algo selvagem, indomável. E o rosto que admirava não se imaginava belo, ainda que obstinado, não que isso importasse tanto, mas sim o que estava além do rosto, que nele se afundava, um acento,  os olhos algo tortos mas que se abrem como buraco negro no qual talvez valha a pena se jogar, deixar-se arrastar pela magnética gravidade, afundar num lago escuro e noturno de lua fria e águas termais, o banho quente de dorsos nus emaranhados em meio ao vapor de névoa quente e úmida de uma fonte termal, bocas e línguas e ouvidos, narizes pescoços, que parte é essa, um ritmo lento, o som de pequenos grilos e outros insetos, o encaixe fundo dos corpos lisos e molhados na noite fria e água quente, peixes imóveis em si, rodando um no outro, as peles lisas e molhadas roçando, o cheiro de mato e relva, amargor doce e suor, e beiços e tetas e línguas e peitos como peixes, mas também cobras e sapos, um estalo, explosão.


Pagaram a conta, e a mesa ficou vazia.

7.5.17

Desenho cego


das curvas dos corpos
às curvas das ruas
rastreando traços
tateando rastros