19.5.18

Chupeteiro sim


uns xegote que encaixa

língua na xoxota
pau na boca
nariz no cú
chupá cú!
nariz no sovaco
mordida no braço
chupá teta
manipular tetas
chupá dedão do pé
polegarzinho
cheirá o cangote
língua na orelha
morder orelha
chegar lá

Xegote

Shangri-la

Onanista sim


punhetinha boa
xavecada de dedo

18.5.18

Magenta


a caneta roxa estava ali
me esperando
na estranha gaveta

16.5.18

11 filmes vitais de 2011

1. Mamute

A velhice, cansaço do espírito? A vitalidade vem de abrir os caminhos, o coração, o nariz, o pulmão, a cabeça e a bunda. Uma piscina em alto mar. Uma motocicleta, um clássico. A carne que se mata e se come sustem a vida, impregnante morte. A imaginação solitária de um ser escolhido, escondido nas multidões. A história em vários níveis, momentos, factíveis à surpresa e ao contraste.

2. A Partida

O violoncelo e a música, a profissão e a vida. A vida e a morte em cada momento, em cada refeição. Um casal, que faz do fracasso alavanca para a transformação. O professor e a matriarca fazem do seu ofício o reconforto e o tesouro. O ritual que encerra a última fantasia. A tempestade e a água-bonança, a dança das ondas sobre a imensidão profunda.

3. Viajo porque preciso, volto porque te amo

A paisagem de cada ser, um ser imenso. A sonoridade da voz que ecoa em cada cabeça. A paisagem e o território, a vastidão e um personagem suspenso. A dureza do árido e a ância de uma vida-lazer. Do fim do Prazer, ao prazer pelo Cotidiano. Uma vida-lazer, em meio à dureza da pedra, onde pinga ou não a água benfazeja. Do penhasco ao mar, o salto na imensidão.

4. O segredo dos seus olhos

A vida cotidiana continuamente acaba e recomeça. Sob o olhar sublime da morte, persevera a a autoridade do bizarro. Ao silêncio da morte sobrepõe-se o grito de amor. persevera ao medo. O eterno duelo entre dor e desejo, entre o dever e o direito. Uma história a ser sempre recontada, para não ser esquecida, para renascer ao ser relembrada.

5. A pele que habito

O espírito preso no corpo, junto a pele. A ação artificial que mascara a si mesma, máscara do outro. A animalidade que sobrepuja o homem: mais uma fantasia. Ou uma máscara de ferro. A submissão versus a emancipação, uma batalha constante. A capacidade de criar loucura na racionalidade. Transformação.

6. Melancolia

Explosão galáctica: o começo do fim. O casamento entre os astros e a impossibilidade de um contrato garantido com a imortalidade. A chama que se apaga, eternamente. Como a pedra que ecoa e afunda quando atirada ao mar. Nesse momento, uma pausa para a reflexão e a serenidade, outra para a paixão e o desespero.

7. Paradise Now

O cerco vai se fechando, numa densa invasão. A psicologia ideológica das barreiras e dos muros. O confinamento martirizante, tão desnecessário quanto sufocante. A impossibilidade de resistir, irredutibilidade de se inconformar. Da conformação subsistente à explosão da inconformação intolerante. A luta, derrame de martírio de si mesmo à negação ao outro. O transbordamento de nosoutros.

8. Meia noite em Paris

Aquele tempo bom que não volta mais. Esse tempo de agora difícil de se acostumar, tão invasor, tão voraz. Tão pouco espaço para sonhar a lembrança de um momento antigo como esse de agora. Mas tanto espaço para sonhar, se dentro de ti a um mundo que anseia e confia no porvir. Que tempo bom que olha nos olhos e te atravessa, convida uma história, e não volta nunca mais.

9. For eyes monster

Aquele amante, aquela amada diversidade, de estar enrolado em seus braços. E cheirar os seus cabelos, e curtir o seu abraço. E do nosso encontro constituirmo-nos em ábaco, espelho espiritual. A chancela do corpo, as asas do espírito. Cada um tem uma asa: o abraço e o impulso.

10. O céu sob os ombros

Somos três, pra mais de mil. E em momentos análogos nos comunicamos experiências complementares, e completamente diversas. A pressa que discorre sobre esse tempo que eu não sinto, mas tenho que suportar. Essa curva inesperada, que eu devo suportar. Essa conformação inútil que eu devo superar. O preço que se paga exatamente pelo que se vive. E as coisas simples e complicadas de se viver.

11. A cidade/ O império - dos sonhos

Dois filmes em um. Uma experiência bipartida. O onírico que avassala tanto o pesadelo como o sonho idílico. A cidade, o desejo, o império dos sentidos. Saturando-se, até o amargor da boca. Até o porão profundo que continua, numa escada de moebius, até o teto. O porão do sótão tem uma janela empoeirada, com vista para a cidade. Cilada?


Adernar


Verbo difícil
pesado
desequilibrado

como um bêbedo
que tem que agir rápido

precipitando-se
lentamente
para o caos

para Carlos Palombini