Super caleidoscópio
Explosão solar
Sen
si
bi
li
da
de
Rompendo o silêncio da noite:
(Vazio da morte eterna)
Sinfonia de Caos
para Abujamra
“A literatura, a música, a filosofia são bálsamos para enfrentar as incoerências da vida”. Lenilélia Abbamonte da Silva
Super caleidoscópio
Explosão solar
Sen
si
bi
li
da
de
Rompendo o silêncio da noite:
(Vazio da morte eterna)
Sinfonia de Caos
para Abujamra
Li teu livro, Compêndio para moças de olhos lânguidos, cuidadosamente elaborado, sério, impecável, porque imbuído da determinação de um raio de luz que adentra no fundo de um arquivo morto, um cemitério, antes hospício e prisão, mas de onde, escamoteadas por todas as pilhas de papéis e fungos e ácaros, toda a taxonomia burocrática e perversa que mutila qualquer subjetividade, de onde se capturaram vidas, das quais, todavia, ainda que tenham deixado esse plano terrestre, é possível escutar, um pulsar.
Li teu livro de maneira célere, porém intermitentemente terrificado, sentindo-me algo sufocado, porque sem fôlego, mas também prazeroso por haver imergido e estar submerso por vontade própria, tornando-me absolutamente encantado pelo labirinto da fauna de cabeça de útero, a vaca profana que pariu o Minotauro, Pasífae era seu nome.
Ponderei sobre a Carta XI do Tarô, Força, a mão da mulher sobre a cabeça da fera.
E sobre o uso excessivo da força – típico dos homens – a absoluta covardia.
Que tortura, desfigura, estraçalha, dilacera
A vida quente, tenra, mole e absolutamente frágil
Que teima em se revigorar a cada dia
Como a relva grassa
Como a luz da manhã
No mais, gostaria de conversar com você sobre cada um dos textos e imagens que compõem teu livro, minha querida amiga jogadora de filacantos, sobre todas as minúcias que contêm, muita riqueza, toda joia é um fragmento, mas teu livro é um caleidoscópio de pedras preciosas. Estou maravilhado com tua coragem e feliz por tua existência, que encontrou seu “chão” em vida, e mira as estrelas no firmamento, tuas iguais de outrora.
Ps. Acredite ou não, pouco antes de ler “coração imortal”, escrevi o poema “vulnerável coração”, o qual compartilho contigo:
Meu mestre, Daisaku Ikeda, disse uma vez:
“a paixão é um sentimento por demais tempestuoso
para deixar que lhe conduza a vida”
A pessoa que se apaixona (de maneira não correspondida)
Fixa morada (arma uma barraca)
Às margens de um rio (espiritual)
Do qual ela não beberá a água (néctar dos deuses?)
E nem pescará o peixe (o pão nosso de cada dia)
Sendo que, eventualmente, esse mesmo rio transbordará
Levando embora barraca e sonhos
A pessoa que vive uma paixão (não correspondida)
Anda desprotegida na noite escura
Desarmada no breu da noite
Roendo as unhas pela madrugada
Cheirando pelas esquinas uma flor nenhuma
À procura de luz
E mesmo que a lua surja
No caos da madrugada
E seja eu mesmo que brote da terra
Apenas poderei ver teu brilho
Espelho perfeito do sol
Sem nunca, jamais, tocá-la
Nem mesmo em sonhos
A pessoa que se apaixona
No caos da madrugada
Se lança ao mar
Em frágil embarcação
Sem temer a procela
Que decerto há de devorá-la
E, ainda que, no momento derradeiro
Deseje ardentemente sentir o vento oportuno
Aquele que leva de volta a um porto seguro
O caminho é para a frente, e sempre abaixo
Afinal, é da natureza da água descer ao nível mais inferior
Assim foi no cortejo de Quincas Berro D’água
Aquele que morreu duas vezes
Amando aguardente mais do que a própria vida
Decerto, mestre, que viver não é preciso
Mas navegar sim
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