23.8.15

Codinome

Por mais badass que seja,
a dor começa por se mostrar insuportável
a partir do momento em que se diz:

ai

28.7.15

Picadeiro


Bêbado
Equilibrista
palhaço
domador

e fera domada

26.7.15

As aves cantando diásporas


Ah, decisão!
Está decidido!
O dia em que eu morrer vai ser exatamente assim!

Domingo de manhã,
depois da madrugada,
a feira da Major Quedinho
além do crepúsculo sepulcral

Na esquina,
um quarteto de góticos me encara

E na feira vou adentrar,
em busca de dois pastel de pizza e um de frango e catupiry!
E o caldo de cana, que me oferece a dona Maria José, a Zezé...

“Vai querer como?
Com morango, manga mamão cajá, gengibre agrião? Vai querer como?”
“Ah, quantos sabores tem Zezé! Faz uma surpresa pra mim!”
E ela me surpreende! Mas surpreendo ela espiando:
“É Maracujá? Não? É Cajá!? É?!??”
Que delícia o caldo de cana com cajá!

Volto pra casa, fadigado,
mas com três pasteis e dois litros de caldo de cana e uma Zezé magnífica
As aves gralham resplandecentes ao sol da manhã, céu claro e esbranquiçado

Quando eu morrer vai ser assim,
domingo de manhã,
depois de três pastel e dois litro de caldo de cana,
e tenho dito

23.7.15

um peso duas medidas


antigamente as pessoas andavam na rua falando sozinhas e eram consideradas loucas, camisa de força e o escambal

hoje as pessoas andam na rua falando sozinhas, com seus microfones de celular, e todo mundo acha normal

a loucura só é um problema quando praticada por uma minoria, alguém marginal

13.7.15

Violino, alfinetar


a costureira afina seu instrumento
tecido da vida, véu da morte
vida vivida

Máquina de tear

para Suellen Ciccotti