21.6.12

Lutar contra


A natureza e a cidade monstro:
tudo se fecha obscuro sonho
à dura realidade, visão opaca 
da selva saturante e fragmentada. 

O tempo, 
o computador, 
o empregador, 
o transporte público, 
o mau humor, 
num sistema dilacerante 
de um mundo cão.

Amo-te
versus
a morte.

Além da alienação, 
uma ave de rapina, 
leão juba de pedra, 
o predador rasteiro que caça

um lobo no deserto.

Em meio à neblina dos pensamentos,
abrir caminho, picar a trilha,
para um campo de visão maior, 
explorando camadas da visão.

24 horas


Afiada guilhotina,
Engrenagens carcomidas,
rotinas complexas,
alimentam-se do próprio rabo:

fluxos de pró criação, 
explosões intergaláticas,
cobras e terra, 
matilhas de comida.

18.6.12

Amortecer


Por mais que acelere, 
que tenha pressa, 
quando te encontro
tudo fica
lento
umedecido
molhado
fluxo

tecitura do amor

Pachamama


Terra Preta? Mama África!
Estados Unidos da América?
Aqui é o Brasil da América!
E tem a Colômbia da América!
O Equador da América!
Tem tantas Pequenas Américas 
na Grande América, 
tantas multiplicidades!
Essa não é de ninguém, e é de todos!

Diz ae Walt Whitman:
“sou todo um cosmos”!
Sou vida e fogo!
E também um zero absoluto:
Eu sou ninguém.

E respeito é pra quem tem!
E quem não tem cobra com armas.
Diz ae Mario Quintana:
“se fosse pelas mães não haveria guerras, 
mas as filhas preferem os soldados”!

Esperança


O que esperar da flor, 
se ela ao te olhar já tudo lhe dá?