12.5.17

Pneu


A roda gira
mas também balança

11.5.17

Rei Momo


Lendo o jornal
naquela cagada matinal

se fantasia de juiz

9.5.17

Lua em Escorpião


Violão fiel
Violeiro cão

para Belchior

8.5.17

Piracema Café


Tinham combinado apenas um café. Apenas isso. Naquele lugar perto da praça, o dia estava bom, ainda era verão. Mas a coisa foi se transformando. “Ta bom o café?”, “uhum”, e olhava para aquele rosto felino. Tinha dificuldade em definir precisamente o que fascinava tanto, mas de fato era felino, algo selvagem, indomável. E o rosto que admirava não se imaginava belo, ainda que obstinado, não que isso importasse tanto, mas sim o que estava além do rosto, que nele se afundava, um acento,  os olhos algo tortos mas que se abrem como buraco negro no qual talvez valha a pena se jogar, deixar-se arrastar pela magnética gravidade, afundar num lago escuro e noturno de lua fria e águas termais, o banho quente de dorsos nus emaranhados em meio ao vapor de névoa quente e úmida de uma fonte termal, bocas e línguas e ouvidos, narizes pescoços, que parte é essa, um ritmo lento, o som de pequenos grilos e outros insetos, o encaixe fundo dos corpos lisos e molhados na noite fria e água quente, peixes imóveis em si, rodando um no outro, as peles lisas e molhadas roçando, o cheiro de mato e relva, amargor doce e suor, e beiços e tetas e línguas e peitos como peixes, mas também cobras e sapos, um estalo, explosão.


Pagaram a conta, e a mesa ficou vazia.

7.5.17

Desenho cego


das curvas dos corpos
às curvas das ruas
rastreando traços
tateando rastros