5.3.13

Implícita


Tomar café,
mesmo chá,
religiosidade
implica.

De ruídos redundantes,
falo nada,
nem explico.

Medo é pra ter coragem.
Coragem é pra rasgar o medo.

Do começo do mundo,
ao mundo vou e findo.

Revirada



Nos caminhos do nômade,
entre o dia e a noite,
à madrugada, o salto
do esquizo, frenético!

Momentos intensos,
cada qual um mundo,
mesmo em um segundo,
longa jornada.

Engrenagens



E a corrida dos ratos
cada vez mais cedo começa,
sem hora pra acabar,
dir-se-á que nem para.

Na roda gigante,
o redemoinho.

Da cova-rasa
à estrela rara.

Ferormônios



Quando ela passa
e o vento sopra,
remexe os cabelos
e arrevôam fadinhas.

Perfume cangote,
as ancas sinuosas,
do nariz aos olhos,
do momento meu dote.

Jagunço



No sertão, na favela.
A terra vasta, caminhos dela.
A mira exata, no zé ruela.
À mesa farta, ou comendo terra.

Coragem e o medo,
faca de dois gumes,
carrega no peito a marca
do agridoce e do azedume.

O Fogo da guerra, Tatarana,
Lagarto cospe-fogo.

O veneno da cobra, cascavel-cruzeiro,
Urutu-branco, grande guerreiro!

para Riobaldo