8.1.14

O chão sob seu pés


E então, quando voltar no ponto primordial da história
e se sentir ufanista (ou mesmo misantropo),
descobrirá (talvez) outra civilização soterrada,
no seu modo de viver, de sentir e de pensar...

7.1.14

Cais caminhos?


Porto Alegre, 25 de Novembro de 2005, fotografia Juliana Okuda

Serra do mar!
Supersônicos voadores flutuando em nuvens de algodão

Barquinhos regionais,
todos os tipos de cargueiros atracados nas zonas de interstícios,
fermentando os heróis do povo em latas de sardinha

do cais ao porto,
cem dias entre céu e mar,
o caminho do coração

(texto original, 25 de Maio de 2011)

Aroma anárquico


Eu quero que o seu/ meu domínio
se fodam/ explodam
naquilo que é compartilhado por nós

Comunhão entre iguais
Respeitando as diferenças

Mesmo à guerra,
desistir jamais

Paz é compreensão


para Ezra Pound

Ele e ela o verbo versa



1234a 4321a’ 1234b 4321b’ 1234c

Decerto esse verso já não é o mesmo
De fato todavia talvez seja inverso
Quem sabe seja mesmo um verso muito experto
Que pula na muquia sem se fazer visto

Que sem se fazer visto pula na muquia
Mesmo quem sabe muito experto um verso seja
Talvez de fato inverso seja todavia
não é decerto o mesmo esse verso já

E agora deito o verbo nessa encruzilhada
Aberto o corpo fecha já não sinto nada
Levanta o verbo solto sua voz bem alta
O sonho vira à esquina e o som dá gargalhada

O som dá gargalhada e a esquina vira sonho
E a sua voz alta o verbo levanta solto
Agora sim tudo fechado abre o corpo
E nessa encruzilhada agora deito o verbo

E sem saber porque me lembro de você
Me lembro de você eu que nunca te vi
E sem saber quê nem porque estamos aqui
Mas chegou mesmo agora a hora de ir

jogo de filacantos

5.1.14

Quintal de Abadiânia


Amarelo quarando

Lençóis em leque,
estampas de colchalhos,
de retalhos tenda,
colchas de essência
(aromas) pregadores,
brita e verdes,

telhado cerâmica e casa
ciano céu

para Luiz Guimarães Monforte