17.3.13

Alumbramento


Foto efeito
hipnotizante 
dos olhos
no peito.

Borboletas no estômago,
frio na barriga,
água na boca um sonho,

um jeito,
um chêro,
e um beijo.

Bater asas



A galinha e o ovo
redondo vibro

da lagarta à borboleta
fecho, depois abro
gatilho e mira

Atiro

Até o bico do corvo
rosno, mordo e morro

Do ninho de cobra
à águia rainha,

Fênix renasço,
entre o cansaço e o novo.

Português vinheta


Camões, Pessoa, Saramago,

Machado, Rosa, Amado,

Quintana, Leminsky, Drummond,

Darcy, Graciliano, Milton,

Tantos mais,
outros tantos,

que tantas línguas pátrias
e ciências estudaram,
para tua linda língua-mãe
agraciarem de louvor.

Sem falar de traduções,
mercado editorial,
indústria tipográfica,
imensidões.

Além dos livros, violas, as rinhas,
o asfalto e os morros.
Rodas de bambas,
na orelha o xaveco,
o sussurro e a rima.

Língua viva, guerra suja,
gíria finta, gambiarra
e miscigenação,

"Omssa"
"Uma sopa pá nóis"
"As mina pira"

Terra gira,
Mundo cão.

Tato


A cor
a forma
o zelo,
não tanto importam.

O calor
a pele
o cheiro
sim, abrem as portas.

Sorriso comove,
carinho fraterno.
Olhos atravessam
fronteira, transposta.

Mãos são cúmplices,

distância é rio,
é tempo, barreira,

seixo rolando,
corpo nu,
mesmo fogo no pavio.

Tatoo
território
pontes

de ébano,
e mato,
buritizais.

Das referências


Eu uso a internet para fazer
atitude ops poesia,
e eu adoro essa inútil
sedução ops picardia